Querida leitora,
Nos últimos dias, estudando sobre a história dos Duques de Windsor — que fazem parte da minha pesquisa para o desenvolvimento de The Zip Affair — tenho pensado em como algumas coisas entram na vida da gente, sem fazer muito barulho, e acabam ficando. Vão mudando alguma coisa dentro de nós e quando a gente percebe, já reorganizou tudo.
Tenho pensado nisso provavelmente porque estou escrevendo uma história em que acontece exatamente isso.
Wallis Simpson não se impôs de imediato na vida do Príncipe de Gales nos anos 1930. A ligação entre eles foi se formando aos poucos, ganhando espaço. Não foi amor à primeira vista, nem atração física, mas uma forte conexão que foi crescendo pouco a pouco.
Em The Zip Affair, Wallis é uma figura histórica que faz parte da trama de forma intrigante. Não vou antecipar o papel que ela ocupa, mas volto a ela com frequência. Sempre com a sensação de que ainda não entendi tudo.
Na História, a relação com Edward VIII leva um tempo para se revelar. Ela vai se formando na convivência, no tempo.
Wallis não chamava atenção do jeito mais óbvio. O efeito vinha da forma como ela se dirigia a ele. Ela prestava atenção, ajustava o tom, acompanhava o ritmo, criava um tipo de proximidade em que ele não precisava sustentar personagem o tempo todo. Edward era constantemente observado e cercado de expectativas. Com ela, parecia menos exposto, mais inteiro.
Nas cartas e nos relatos da época, Wallis aparece como alguém atenta ao detalhe, ao humor (ela era espirituosa), ao ritmo do outro. Ela ajustava o ambiente ao redor dele com precisão, com conversas e também com silêncios.
Esse tipo de vínculo não depende de impacto inicial, como uma paixão à primeira vista. Ele se forma no tempo, na repetição. Na forma como uma pessoa passa a influenciar e a organizar a experiência do outro.
É isso que me interessa rastrear.




The Windsor Story
Comprei um exemplar de The Windsor Story usado num sebo.
Quando abri o livro, na folha de rosto, uma inscrição à mão:
Lúcia Flecha de Lima, Nova York, novembro de 1979.
A embaixatriz que, décadas depois, se tornaria uma das pessoas mais próximas de Diana, Princess of Wales, já estava, naquele novembro, lendo sobre os Windsor.
Gosto de imaginar esse momento. O livro recém-aberto no ano de sua publicação, a cidade ao redor em movimento. E ela ali, começando uma leitura que, de alguma forma, também perduraria no tempo.
Uma feliz coincidência, um livro que atravessa décadas, muda de mãos, e chega exatamente quando se está olhando para o mesmo lugar em busca de respostas.
Não sei o que ela estava pensando quando o abriu pela primeira vez.



